Mestres de Capoeira Viram Super-Heróis em Literatura de Cordel
Nesta quarta-feira (8), o ilustrador e comunicador Eddy Azuos distribuiu as obras de cordel “A Lenda do Badauê” e “Mulungu de Ronda” na Casa das Histórias de Salvador (CHS). A ação, realizada pela Secult, celebrou o Dia Nacional do Livro Infantil em um dia de visitação gratuita.
O Processo Criativo e a Inspiração
A ideia surgiu do questionamento de Eddy sobre a falta de super-heróis baseados em referências nacionais. Ele buscou na capoeira o potencial para criar um universo de heróis brasileiros:
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A Lenda do Badauê: Ambientada em Salvador (como o Dique do Tororó), traz um justiceiro negro inspirado no Mestre Moa do Katendê.
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Mulungu de Ronda: Resgata a figura histórica de João Mulungu, líder escravizado em Sergipe.
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Técnica Musical: Vindo do hip-hop, o autor adaptou a métrica do rap para o cordel, utilizando quintilhas e sextilhas, focando na sonoridade e na tradição oral.
Democratização e Representatividade
O evento contou com um bate-papo entre o autor e o público. Visitantes de outras regiões, como o paulista Alfredo Bonini, destacaram a importância de conhecer personagens que representam diversas culturas brasileiras. Para Eddy, ocupar espaços públicos com essas narrativas é uma forma de:
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Incentivar novos autores a criarem suas próprias histórias.
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Reivindicar o direito de contar a própria trajetória.
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Evitar o apagamento da história negra e cultural do país.
Próximo Lançamento
Durante o encontro, foi anunciada a obra “Maria do Cambotá”. O novo título apresentará uma super-heroína inspirada na Mestra Janja, do Grupo de Capoeira de Angola Nzinga.
