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quinta-feira, agosto 11, 2022

Especial: Palco do Rock comemorou 21 anos com homenagem à cultura nordestina

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Especial: Palco do Rock comemorou 21 anos com homenagem à cultura nordestina

Pra quem não curte o Carnaval tradicional de Salvador e é chegado em Rock and Roll, o Palco do Rock é uma opção há 21 anos. O evento reúne bandas locais e de outros estados e é a prova de que no Carnaval de Salvador tem espaço para todos os gostos e estilos.

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pdr

A equipe do COMUNICA esteve presente no sábado (14/2), para realizar a cobertura do evento, que contou com as apresentações da banda Randez Vouxxx, Paulinho Oliveira, Human, Circo de Marvin, Behavior, Norfist, Veuliah, Rhenoda e Not Names. Esse ano, o PDR, como é popularmente conhecido,  trouxe o tema Saga Nordeste:  “Brasileiro, filho do Nordeste. Sou cabra da peste!”.

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Segundo Sandra de Cássia, presidente da Associação Cultural Clube do Rock da Bahia (ACCRBA), o fato dos nordestinos terem sido criticados por darem à maior quantidade de votos a presidente Dilma, influenciou na escolha do tema. “Nós fomos criticados pelo resto do país por causa disso e então, começamos a analisar esse fato. A nossa intenção com a Saga Nordeste, era levantar essa moral, essa dignidade de ser nordestino. Decidimos brincar com esse tema abordando esse lado, mas a realidade era essa inquietação da gente em ter sido criticado de forma desonrosa.”, disse.

Sandra de Cássia

Sandra fez questão de ressaltar grandes escritores e poetas nordestinos. “Independente de qualquer coisa, os nordestinos enriqueceram todas as vertentes culturais que você possa imaginar. Nós temos que ter orgulho mesmo! Temos um vasto número de escritores e poetas que enriqueceram a literatura. De Jorge Amado a Castro Alves, Ariano Suassuna, dentre outros”.

LOCALIZAÇÃO

Este ano o Palco do Rock foi montado no Jardim de Alah. O local foi mudado por causa das obras de urbanização do antigo espaço, o coqueiral de Piatã. A arena foi montada pela Prefeitura, através da Empresa Salvador Turismo (Saltur).

Com a mudança de local, o evento perdeu o Espaço Interativo Infantil e o Espaço Interativo. Apesar disso, ainda teve um pequeno espaço para o meio ambiente, com algumas mudas de plantas,  além da arrecadação de alimentos para instituições.”Isso aqui era pra estar cheio de cordéis e outras coisas da cultura nordestina misturada com a gente, mas perdemos os espaços onde acontecia toda essa interação.”, disse Sandra.

Nayri e amiga

A troca de local não agradou a todos. Nayri Almeida, 19 anos, foi uma das pessoas que não gostou do novo local. Ela foi ao Palco do Rock todos os dias em 2014 e mesmo com a mudança, fez questão de vir para a edição de 2015. “Eu não gostei do evento aqui no Jardim de Alah, porque estamos numa praça, um pouco espalhados. Eu prefiro Piatã, por ser um local mais aberto.”, disse.

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Já Iago Magno, 22 anos, frequentador assíduo do PDR, gostou do novo local.  “Apesar de não ser tão espaçoso, gostei daqui. É só explorar o local com calma. Dá pra assistir aos shows tranquilamente e sem ter muita gente na frente atrapalhando minha visão.”.

Foto: Reprodução/AGECOM

Como sempre, o evento recebeu milhares de roqueiros de toda parte. Muitos acamparam no gramado, com o intuito de curtir os quatro dias de atrações.  Luã “Didu” é um exemplo. Ele saiu de Muritiba, a 149 km de distância de Salvador, para curtir o PDR e ver a apresentação da Banda Behavior. “Eu venho para o Palco desde os meus 17 anos. E não faz sentido ir e voltar para Muritiba durante os dias do evento, eu teria um gasto enorme. Esse ano eu resolvi trazer minha barraca, faço minha comida, tomo banho no mar e é só alegria. Está sendo bem mais divertido do que eu imaginava.”

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CURIOSIDADES

Renato Santos e Kele Brito

Renato Santos aproveitou o Palco do Rock para realizar seu desejo, pediu a namorada Kele Brito em casamento. Felizmente, ela disse sim. Renato frequenta o PDR desde criança e sempre teve o sonho de noivar no palco do evento.

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Tony, Iasmim e Adriana Villas Boas

Tony Villas Boas, que participou da criação do PDR em 1994 e foi um dos diretores, fez questão de destacar a melhora do evento ao longo dos anos. “Falar de melhora é algo natural. A evolução vem acontecendo ao longo desses 21 anos, não só a evolução da produção, mas a evolução tecnológica em si”.

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Ressaltou também a falta de atenção com o pessoal da cena rock ‘n’ roll. “O músico de rock ‘n’ roll ainda é visto como uma pessoa não profissional e isso dificulta muito, os equipamentos são caros e há certa dificuldade em manter a banda. Minha esperança é que eventos como esse continuem acontecendo.”, concluiu.

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O músico André Poveda, aproveitou os quatro dias de evento para filmar cenas de um documentário sobre o rock baiano, retratando o cenário desde os anos 50 até a atualidade. “Quando se fala de rock na Bahia só pensamos Pitty, Raul Seixas e Marcelo Nova, mas temos um cenário grande, com bandas como Zona Abissal, que foi a primeira a gravar disco e videoclipe e durou 14 anos”, afirmou Poveda.

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O artista ainda fala de diversas outras bandas que não tiveram essa repercussão e estão entrando no esquecimento, o documentário vai relembrar do início até a nova geração. “A Bahia tem rock, tem estilo”, finalizou. O músico se apresentou na última segunda-feira (16/2) com a banda Os Tios.

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BANDAS

Circo de Marvin

Uma das primeiras bandas a tocar, a Circo de Marvin volta ao PDR e dessa vez mais experientes, segundo o vocalista Bruno Souri. “Chegamos muito felizes, porque o PDR sempre foi um lugar que nos fez crescer em termos de reconhecimento e de público. Muita gente conheceu o nosso som através do evento. É gratificante você estar cantando lá em cima do palco e ver essa galera cantando seu som, sua mensagem, acho que esse foi o maior prazer de todos.”, disse.

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Banda Independente, a Circo de Marvin tem um EP, que foi lançado em 2012, e é o primeiro trabalho deles. “Foi uma experiência para saber o que íamos ter de fruto. Mas, ainda esse ano, nós vamos lançar o nosso novo disco, que se chama Modo Hard, e fala da dificuldade da vida contemporânea da galera da nossa geração, que vive no modo hard.”

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O novo disco da banda vai contar com a produção de André Tavares (mais conhecido como André T), que produziu discos de Retrofoguetes, Cascadura, Luiz Caldas, Carla Visi entre outros músicos. “Vamos lançar clipe e trazer muitas novidades. Queremos fazer algo de nível nacional, para levar o rock ‘n’ roll baiano a outros lugares.”, concluiu Bruno.

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Zezinho Peixoto e Pedrinho Peixoto

Além de Bruno, conversamos com Zezinho Peixoto, vocalista da banda Norfist, que já tocou algumas vezes no PDR e disse que cada vez que tocam, é como se fosse a primeira. “O friozinho na barriga sempre bate, dá aquele nervosismo e não tem pra onde correr. Cada ano que passa a gente tem a responsabilidade de fazer um show melhor do que nos anos anteriores. E com o público que vi aqui hoje, é o nosso dever fazer com que eles saiam daqui satisfeitos.”

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O vocalista ainda explicou a origem do nome da banda. “O nome Norfist é um pouco curioso, northeast quer dizer nordeste em inglês. Mas como somos nordestinos e normalmente escrevemos do jeito que falamos, resolvemos escrever Norfist do jeito que realmente se fala, e não do jeito que se escreve (northeast).“, concluiu.

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DIFICULDADES

Mais uma vez, o Palco do Rock foi realizado com poucos recursos e com muita força de vontade de Sandra e dos colaboradores. Além de contar com o apoio da Prefeitura Municipal de Salvador e da Empresa Salvador Turismo (Saltur), cuidando da estrutura do local, a Policia Militar fez a segurança do evento e a Secretaria do Turismo do Estado da Bahia (Bahiatursa) liberou a verba de R$ 50 mil para pagamento das mais de 30 atrações.

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Diogo Medrado

Houve muitas polemicas em torno do pagamento e apoio do governo ao evento. Segundo Diogo Medrado, presidente da Bahiatursa, eles se empenharam para realizar o festival. Mesmo apoiando o evento com os R$ 50 mil, foi pouco, comparado ao que a Bahiatursa liberou para a cantora Luana Monalisa, pouco conhecida entre os foliões e que recebeu R$ 120 mil para fazer três shows no Carnaval de Salvador.

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De acordo com a coluna Satélite, do jornal Correio da Bahia, o valor é superior ao que foi pago pela Bahiatursa a nomes bem mais conhecidos, como as bandas Filhos de Jorge (R$ 35 mil) e Babado Novo (R$ 80 mil), e os cantores Edy City (R$ 50 mil), Ninha (R$ 80 mil) e Margareth Menezes (R$ 100 mil). 

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Antes de a Bahiatursa fornecer os 50 mil reais para pagamento dos artistas, o Secretário estadual da cultura, Jorge Portugal, chegou a afirmar que o apoio do governo ao evento ia “fazer a cidade ferver”. E ainda, segundo Portugal, as negativas do ex-secretário, Albino Rubin, eram porque não havia orçamento suficiente.  No entanto, no carnaval deste ano, a Secretaria de Cultura da Bahia (Secult) pagou o cachê de R$ 210 mil ao cantor Léo Santana.

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Perguntada como se sente sobre produzir o Palco do Rock há mais de 21 anos, Sandra deixou claro que esta satisfeita por causa do público, mas que também se sente traída. “Fico satisfeita ao ver o público satisfeito, mas me sinto traída também. Porque nós temos um governo que se diz democrático e nos discrimina o tempo inteiro, nós ficamos sem entender. […] A gente vive uma democracia disfarçada.”, afirmou.

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Não é só o rock que se sente discriminado. Existem outras vertentes muito mais antigas, baianas, seguimentos importantes, afoxés e tudo mais, que também são discriminados. O Palco do Rock foi constituído para acontecer longe do Carnaval de Salvador justamente por isso.” A presidente da ACCRBA ainda afirmou que nunca tiveram a intenção de intervir em algo que já estava construído e que sempre buscaram o próprio espaço. “Nós temos o nosso publico, a gente sabe que essa especificidade é importante. O Palco do Rock existe por causa da determinação de todos: músicos, produtores e púbico.”, concluiu.

Algumas bandas tocaram gratuitamente no evento. A Statik Majik é um exemplo, que mesmo sem apoio financeiro fez questão de vir da Paraíba para participar do festival. Eles contam que desembolsaram cerca de R$6 mil em passagens para estar no festival, que consideram fundamental.

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Segundo o Policial Militar, Anderson Santos, o evento ocorreu sem problemas no sábado. “Não temos a quantidade exata de PMs que foi designada para trabalhar aqui, mas foi uma quantidade reduzida, por ser um publico tranquilo e que geralmente não cria confusões”. O evento contou com mais de oito mil pessoas por noite, atraídas por bandas como Behavior, Metacrose, Pastel de Miolos, Armahda, Motricia e Overdose Alcoólica, que encerrou o festival na terça feira (17/2).

 

Fotos: Reprodução/Agecom, Ana Prado, Rafael Almeida e Renan Dias

 

 

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Última atualização: 02/21/2015 ás 7:25 PM

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