qui. jun 13th, 2019

Tabagismo provoca mais de 50 doenças e mata mais de 156 mil brasileiros por ano

Cerca de 20 milhões de brasileiros têm o hábito de fumar. Salvador, no entanto, é a capital com menor índice de consumo de cigarro, representando pouco mais de 5% da população. Os índices, apesar de terem reduzido nos últimos anos, ainda chamam atenção, uma vez que este vício é capaz de desencadear mais de 50 doenças no organismo. “São patologias tabaco-relacionadas, como as cardiovasculares (hipertensão, morte súbita, arritmias cardíacas), cerebrovasculares (principal causa de acidente vascular cerebral), doença pulmonar obstrutiva crônica e piora do controle da asma”, detalha a pneumologista do Hospital São Rafael (HSR) Dra. Camila Loureiro, que também afirma que aproximadamente 156 mil brasileiros morrem, por ano, por conta do tabagismo.

 

A médica explica que a combustão do cigarro libera mais de 4.700 substâncias tóxicas, incluindo a nicotina – responsável pela dependência, nitrosaminas, oxidantes e aldeídos. “A fumaça, ao ser inalada, distribui-se rapidamente pelo sistema circulatório, podendo causar inflamação e lesão celular nas diferentes partes do organismo. Apesar da queda da prevalência, mais de 400 pessoas ainda morrem por dia no Brasil, por conta deste vício”, conta a especialista. Vale um alerta ainda para o tabagismo passivo, considerado a terceira causa de morte evitável no mundo. “O fumante passivo também está sob risco de doença arterial coronariana, acidente vascular encefálico, doença pulmonar obstrutiva crônica e neoplasias”, reforça.

 

O tabagismo tem aumentado entre as mulheres, embora a prevalência ainda seja maior entre homens (mais de 11 milhões). A pneumologista do HSR faz um alerta para a idade de consumo, que está cada vez mais precoce. Cerca de 80% dos fumantes começam a fumar antes dos 18 anos. “Além do fato de a adolescência ser um período de grandes transformações orgânicas e formação da personalidade, o tabagismo entre familiares, a aceitação social, o fácil acesso e a venda ilegal de cigarros para menores e outros produtos derivados do tabaco, como o narguilé, podem contribuir de maneira significativa para a iniciação precoce do tabagismo”, ressalta Dra. Camila Loureiro.

 

Cigarro eletrônico

É um dispositivo que produz vapor inalável, simulando o ato de fumar. Além da nicotina, já foram identificadas inúmeras substâncias nocivas no vapor, incluindo citotóxicos, carcinogênicos e irritantes. Segundo a especialista, indo de encontro com a opinião de muitos adeptos, “não há evidências científicas na literatura médica que o recomendem seguramente como estratégia para cessação do tabagismo”. Desde 2009, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária proibiu a comercialização, importação e propaganda do cigarro eletrônico no Brasil.

Pare de fumar

Apesar da prevalência ainda alarmante, para quem deseja parar de fumar, independente da presença ou não das doenças tabaco-relacionadas, os benefícios são animadores. Após duas horas, não há mais nicotina circulando no sangue; em oito horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza; e de 12 a 24 horas, os pulmões já começam a funcionar melhor. Em cerca de 48 horas, o olfato e o paladar ficam mais apurados e, após três semanas, o indivíduo já percebe melhoras também na respiração e na circulação. “Após um ano sem fumar, o risco de morte por infarto do miocárdio reduz pela metade e após 10 anos, o risco de sofrer infarto é igual ao das pessoas que nunca fumaram”, conta a pneumologista Dra. Camila Loureiro.

Dicas

  1. Tenha determinação.
  2. Diminua gradativamente o consumo de cigarros ou pare de forma abrupta: o importante é utilizar um método que funcione com você.
  3. Corte os gatilhos do fumo, como o café e a bebida alcoólica.
  4. Pratique atividades físicas.
  5. Beba muita água.
  6. Quebre a rotina e mude os hábitos antigos.
  7. Evite lugares com grande número de fumantes.
  8. Comunique à família e amigos sobre sua decisão e busque apoio nessas pessoas.
  9. Respire e inspire profundamente, quando sentir vontade de fumar.
  10. Por último, mas não menos importante, faça acompanhamento com um pneumologista.

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