Acusado de receber 5 milhões de dólares em propina, Eduardo Cunha rompe com governo Dilma

O presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou nesta sexta-feira (17/7) seu rompimento político com o governo Dilma Rousseff (PT). Ele acusa o Palácio do Planalto de interferir nas investigações que ligam seu nome à Operação Lava Jato. “O fato de eu estar rompido com o governo não vai afetar a relação institucional”, garantiu o peemedebista, em conversa com jornalistas na Câmara. “Eu, formalmente, estou rompido com o governo. Politicamente, estou rompido”, reiterou.

DELAÇÃO – Nesta quinta-feira (16/7), o ex-consultor da Toyo Setal, Júlio Camargo, disse à Justiça Federal do Paraná (ver vídeo abaixo), em delação premiada, que Cunha lhe pediu propina de 5 milhões de dólares — o equivalente, hoje, a R$ 15,8 milhões.

OPOSIÇÃO – Apesar de ter enorme influência sobre a bancada do PMDB na Câmara, Cunha afirmou que a decisão se limita a ele. “Só posso falar por mim”, disse. Ele afirmou ainda que não tomará nenhuma “medida em especial” contra o governo, mas fez mistério sobre uma possível manifestação de que o rompimento significará ele passar a ser “oposição”.

ACUSAÇÃO – Na coletiva desta sexta, Cunha afirmou ainda que o Palácio do Planalto e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, “podem estar por trás” da acusação feita contra ele por Júlio Camargo. Para o deputado, o delator foi induzido a falar inverdades. “O delator foi obrigado a mentir. E acho muito estranho [a denúncia] ser na véspera do meu pronunciamento [em cadeia de rádio e TV] e na semana em que a parte do Poder Executivo [Polícia Federal], no cumprimento dos mandatos judiciais, tenha agido com aquela fanfarronice toda [no cumprimento dos mandados de busca e apreensão na casa de políticos investigados pela Lava Jato]”, declarou.

Cunha se referia aos mandados de busca e apreensão da PF executados na terça (14/7) nas casas dos senadores Fernando Collor (PTB-AL), Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) e Ciro Nogueira (PP-PI).

RETALIAÇÃO – Entre as retaliações ao governo que devem ser colocadas em prática está, além da convocação de ministros mais próximos de Dilma, logo após o final do recesso parlamentar, a instalação das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para investigar o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e os Fundos de Pensões, ou, ainda, o encaminhamento de um processo de impeachment contra a presidente.

IRRITAÇÃO – Na véspera do anúncio do rompimento, Cunha procurou o correligionário e vice-presidente da República, Michel Temer (coordenador político do governo), e os dois tiveram uma conversa na Base Aérea de Brasília. Segundo relatos, o presidente da Câmara se mostrava indignado com tudo que estava acontecendo.

Abaixo, o depoimento de Júlio Camargo à Lava Jato na íntegra.

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